A POPULARIDADE DE TEMER
- 8 de mar. de 2018
- 2 min de leitura

Na última semana, o presidente da República, Michel Temer, concedeu uma entrevista exclusiva à rádio Jovem Pan. No encontro com a jornalista Vera Magalhães, Temer, apesar de comemorar o aumento de sua aprovação para 15%, afirmou que a popularidade momentânea não lhe interessa, mas sim, o reconhecimento histórico de sua gestão como “reformista”.
A popularidade é algo importante na vida política, ela decide eleições e é o índice que melhor mensura o apoio difuso de um governante. Dessa forma, quando as pesquisas de opinião não são favoráveis a um presidente, a tendência histórica é que sejam instaurados processos de impeachment, numa tentativa do Congresso Nacional de refletir os anseios da população. Assim ocorreu com os ex-presidentes Fernando Collor e Dilma Rousseff, que tiveram seus mandatos abreviados com índices de aprovação parecidos, quando não superiores, aos de Temer.
Denúncias contra o presidente não faltam, que vão desde obstrução de justiça à formação de organização criminosa, no entanto, Michel Temer mantém-se no cargo, nas palavras do ex-presidente Lula: “derrubando o golpe que a TV Globo, o Janot e o Joesley tentaram dar nele”. Golpe ou não, o triunfo do emedebista se dá justamente pela fartura do que faltava a sua antecessora: a governabilidade. Sua experiência como Presidente da Câmara dos Deputados e sua boa relação com o Congresso Nacional fizeram com que ele não apenas resistisse à duas denúncias feitas pelo Ministério Público, como também conseguisse a aprovação de inúmeras reformas legislativas.
Michel Temer não precisa de apoio popular para continuar comandando o Brasil, não foi com esse que chegou ao poder e não será com esse que se manterá. Entretanto, o que o presidente não percebe é que ele não perdeu apenas a popularidade, mas o respeito. As inúmeras manobras políticas, como as trocas de deputados na CCJ ou a liberação premeditada de emendas para persuadir parlamentes, mostraram que ele teme as investigações e, diferentemente do clamado por seus defensores, os interesses pessoais do presidente parecem prevalecer quanto aos nacionais. Parafraseando o cientista político e ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a popularidade vai e vem, mas o respeito da população, uma vez perdido, não é reconquistado.
O Brasil pode estar se reestabelecendo economicamente e a intervenção federal pode consertar o problema carioca de segurança pública, no entanto, os índices de aprovação à Temer dificilmente aumentarão. O povo perdeu a confiança e o respeito pelo atual presidente. Seu mandato pode até ficar registrado nos livros de história como reformista, mas certamente também será marcado como corrupto e impopular.












Comentários